Blog Pausado

Pause

Nossos redatores estão tendo problemas pessoais e não estão com mais tesão de criar as histórias que vocês se acostumaram ler por aqui.

Alguns estão em coma alcoólico, outros com preguiça e alguns de saco cheio e sem inspiração. Por isso estamos pausados. Quem sabe um dia voltaremos.

Não paramos, pausamos. Portanto ainda há esperança. Talvez surjam novas histórias sujas nas mesas dos bares da vida, nas boates, casas de massagem, ou na hora de enfiar o dedo na garganta para vomitar o excesso guardado em nosso interior etílico. Talvez.

Foi bom enquanto durou, enquanto seu saco suportou.

Então, adeus!

Saudações,

Coluniandos

Sentimentos Internos de um Louco

elton Aquela cena vive no meu imaginário. É ela que dorme e acorda comigo neste quarto frio do hospício chamado solidão. Antes o quarto era claro, quente e a cama era de casal. Não dormia com meu ímpeto kamikaze, e sim, com a forma concreta do amor, que jurava amor eterno, mas não para mim.

Depois do golpe sofrido estou recluso entre seres e pensamentos loucos. Atualmente participo de grupos de terapia para esquecer essa idéia de precipícios, botijões de gás, e corda no pescoço. Sem falar nas pílulas tarja preta três vezes ao dia que me deixam babando em minha gravata de papel. É, de papel, por que não me deixam usar seda com desenho do homem aranha no para-peito de um arranha-céu indignado por ter perdido Mary Jane para Harry Ousborne, seu amigo. Seria arriscado dizem os doutores.

Mulher é assim, na carência procura ombro amigo, só pra machucar. Fazem tudo errado e acham que as desculpas são inesgotáveis e aceitáveis sempre. Quando não são. São, passa longe de mim a sanidade. Minha sina é o transtorno afetivo causado pelo desamor de uma mulher, diagnosticou o médico. Simplificando, esquizofrenia causada por amor.

Agora eu mergulho na incandescência daquela imagem, digna de moldura, que atormenta meus pensamentos e alimenta o ego de meus felizes e traiçoeiros algozes. Não posso esquecer o que aconteceu, é onde parei e onde posso recomeçar. É através desse ponto que posso achar a força vital imbuída da minha ressocialização, a volta por cima. Não quero vingança, quero liberdade, ser feliz assim como eles são. Buscarei um outro alguém, se um dia me desgarrar de tua tenaz e dissimulada sedução, tão viva em mim e que me fez e faz tão mal.

Quero sair desta masmorra hospitalar em que me encontro, ir buscar felicidade, não posso mais viver dependendo de ti. Fingir que foi só um sonho, que no embalo da rede devaneei, como um cego apostando o próprio coração.

Quem dera meu coração fosse de pedra. Tivesse escolhido todas ao invés de uma. Ser solteiro, e não casado.

Tenho crises incontroláveis de raiva regadas a autopiedade, tudo vira arma para um atentado suicida, até minha cabeça. Afundo-a no vaso para uma morte merecida lembrando-me do verme fecal que fui em confiar naquele rosto angelical e nos copos brindados em nossa homenagem, mulher e amigo. Por isso alguns dizem o pior inimigo é o mais próximo. Verdade, como dói a súbita facada dada por quem você menos espera. Uma dor indescritível, feita as causadas pela impregnação de remédios que contraem meu corpo arrancando-me urros caninos.

O pior é olhar o espelho e ver onde estou, cercado de loucos com elevadíssimo grau de paranóia. São fadas a bater os braços pelos corredores, drogados qualificados como irrecuperáveis, D.Pedro I, retardados, incapacitados, e enfermeiros e médicos doidos para sossegar leões. Enquanto eu, dependente, luto pela liberdade psíquica de minhas fantasias de amor neste hospício chamado solidão.

Por Elton Cruz