De pá em pá, fecha-se a sepultura dos jogadores medíocres nessa paixão chamada futebol. Sim, pois os medíocres caem no esquecimento e só vamos desenterrá-los ao desvendar páginas de uma enciclopédia qualquer sobre o esporte bretão. Para os craques não! Há uma contemplação atemporal. Desde meninos, nos acostumamos ao ouvir as histórias maravilhosas de Puskas, Pelé, Mané, Maradona, Beckenbauer, Cruyff, Zico e por aí vai. Mas, quem se lembra de Oleg Salenko? Ah ta, um artilheiro russo que fez uns 6 golzinhos na Copa de 94. Craque, nunca foi. Talvez pros russos e só. Pois, está morto e enterrado na enciclopédia da Fifa.
Recentemente, um maestro da bola pendurou as chuteiras. Entrou pra história e para a memória dos fãs do futebol. Um gênio! Sua cadeira é cativa no panteão dos gênios da bola. Zinedine Zidane, o malabarista. Quem corre é a bola, ele só a colocava no lugar certo, na hora exata. Dribles desconcertantes, pés bailando por sobre a bola. Magnânimo. E por mais humilhante que seja para nós, brasileiros feridos com os golpes mortais vindos de suas cabeçadas na final da Copa de 98, ou embasbacados pelos lençóis, dribles e jogada que resultaram na enxotada de nossa seleção, dita favorita, da última competição, Zizou é idolatrado até pelo torcedor canarinho. Com sua aposentadoria, Zidane encerra o ciclo de craques da bola que nascem com o dom do futebol.
Daqui a pouco, o mundo vai perder também, a magia e a reverência de um dos maiores artilheiros dos últimos anos, ou quem sabe de todos os tempos. Romário, o rei de bacalhaus, urubus, europeus, africanos, americanos e asiáticos. Ultimamente até dos torcedores da Oceania, quiçá do Alaska. Rei do mundo. Mundo da bola na grama ou na areia do seu futevôlei. Não importa quantos gols ele fez, não importa quantos gols ele ainda vai fazer. A verdade é que vamos sentir saudades do ímpeto, da ousadia e da simplicidade do maestro dentro da área. O que falar da frieza, dos passes curtos aos longos, dos elásticos desconcertantes. – Quem é o medíocre Amaral? – Nossa que genialidade! Sua estatura é vergonhosa, se comparando a média dos brasileiros, o que importa? É impressionante a destreza, a agilidade, percepção e a colocação na área. Ao analisar aquela bola flutuando, o pequeno grande Romário sobe para cabecear e se torna um gigante perante aos outros. Que nos desculpe Dadá Maravilha, mas o baixinho sim parecia um beija-flor, “parava no ar”, com elegância! Por mais que os zagueiros fossem altos, não bastava. Alguns diziam que a bola o procurava, e os mais críticos que o próprio tinha sorte. Muitos jogadores que vestiam, vestem ou vão vestir a camisa da seleção brasileira, não conseguem realizar as boas atuações que exibem em seus clubes. Diferente do baixinho, que quando vestia o manto sagrado da seleção brasileira, era como se fosse uma camisa comum. Porque o baixinho não foi fabricado, ele nasceu com esse dom. Diferentemente dos novos nomes que surgem como promessa e fazem firulas gratuitas para impressionar torcida. O “Peixe”, não. Seu drible curto servia como último recurso para desbundar a zaga adversária e balançar a rede, fazendo a massa berrar por gol. Quase um orgasmo de felicidade. Porque para o craque, o gol é mais importante do que uma chuteira enfeitada ou personalizada com o símbolo de um patrocinador qualquer. Seu marketing é o nome na lista de artilheiro, ou a camisa eternamente lembrada e associada à maestria do “cara”. Número 11, a predileta, tanto nos clubes quanto na seleção. Marrento, abusado, um Deus da bola. Artilheiro eterno, aos 40, o goleador do Campeonato Brasileiro. Mágica? Não, talvez magia própria pertencente apenas aos magos da bola. Dos golaços aos gols simples, é normal ver gols de bico. Feio? Só para aqueles que não entendem a magia do futebol e a simplicidade essencial de sempre, ao balançar as redes e fazer ecoar nos estádios do mundo seu nome. Romário, sempre será eterno! Seu futebol está guardado na memória e será lembrado por várias gerações. Assim como os bisavôs falam sobre Puskas aos avôs, como os avôs narram a magia de Pelé e Maradona aos pais e os pais nos contam sobre Beckenbauer, Cruyff, Zico e nós vamos narrar aos nossos filhos, cada lance, cada drible, cada gol genial de Zizou, Romário, Obina…
Por Bruno Kzo & Marcos Ferreira (Dom Queixote)
9 respostas Até agora ↓
Elton // Maio 4, 2007 às 11:59 am
Onde estão os nomes de Tuta, Ézio e Magno Alves?
Nem o nome do Daniel foram capaz de citar entre os maiores goleadores.
Não fosse pela qualidade textual condenaria a ausência dos craques que citei!!!
Valeu Marcos!!!
Bruno Kzo // Maio 4, 2007 às 12:24 pm
Caralho, Elton… eu lembro dos áureos tempos em que Januário de Oliveira narrava os jogos do Campeonato Carioca no VT passado nas noites de domingo na Bandeirantes! Ele entoava “Supeeeeeeeeer Ézio!” E não é que o filha da mãe metia sempre gol de cabeça no Flamengo? Agora Tuta e Magno Alves…medíocres…
Elton // Maio 4, 2007 às 12:40 pm
Com o passar dos tempos o nível foi caindo, olha a que ponto chegamos, He-mam. Tá mais pra gato guerreiro aquele verme…
Bruno Kzo // Maio 4, 2007 às 1:15 pm
Gato guerreiro é muita pretensão sua, meu caro Elton. Esse tal de He-man está mais para Pacato, não chega nem a suspirar um ar guerreiro sequer…
Coluniandos // Maio 4, 2007 às 2:02 pm
Foi o que quis dizer, pacato…
Julio Lagedo // Maio 4, 2007 às 2:11 pm
Isso aí porra, Obina melhor que ETO.
HAHAHAHA
daniel // Maio 4, 2007 às 2:16 pm
“ô lê lê, ô lá lá, Romário vem aí e o bicho vai pegar”. Tempos bons que não voltam mais. Agora sou obrigado a ouvir a torcida gritando: “ih, fudeu, o Souza apareceu”.
A coisa tá complicada, mas Domingo tô lá firme e forte.
Valeu Marquinhos e Bruneca!!!
Sujeito Oculto // Maio 4, 2007 às 5:22 pm
Botar o Obina nessa turma é sacanagem (apesar de reconhecer que sem ele o Flamengo não tem muita coisa)! Agora, tem tempo que não surge um desses por aqui, alguém de destaque como um Ronaldinho ou mesmo um Kaká (que, pra mim, também vai cair no esquecimento).
Diogo // Maio 4, 2007 às 7:20 pm
“Romário é gol, Romário é o máximo, ele é o cão…” Já dizia a música.
Simplesmente o melhor.