• ♠ ♣ C O L U N I A N D O S ♠ ♣ •

Sentimentos Internos de um Louco

Maio 10, 2007 · 5 Comentários

elton Aquela cena vive no meu imaginário. É ela que dorme e acorda comigo neste quarto frio do hospício chamado solidão. Antes o quarto era claro, quente e a cama era de casal. Não dormia com meu ímpeto kamikaze, e sim, com a forma concreta do amor, que jurava amor eterno, mas não para mim.

Depois do golpe sofrido estou recluso entre seres e pensamentos loucos. Atualmente participo de grupos de terapia para esquecer essa idéia de precipícios, botijões de gás, e corda no pescoço. Sem falar nas pílulas tarja preta três vezes ao dia que me deixam babando em minha gravata de papel. É, de papel, por que não me deixam usar seda com desenho do homem aranha no para-peito de um arranha-céu indignado por ter perdido Mary Jane para Harry Ousborne, seu amigo. Seria arriscado dizem os doutores.

Mulher é assim, na carência procura ombro amigo, só pra machucar. Fazem tudo errado e acham que as desculpas são inesgotáveis e aceitáveis sempre. Quando não são. São, passa longe de mim a sanidade. Minha sina é o transtorno afetivo causado pelo desamor de uma mulher, diagnosticou o médico. Simplificando, esquizofrenia causada por amor.

Agora eu mergulho na incandescência daquela imagem, digna de moldura, que atormenta meus pensamentos e alimenta o ego de meus felizes e traiçoeiros algozes. Não posso esquecer o que aconteceu, é onde parei e onde posso recomeçar. É através desse ponto que posso achar a força vital imbuída da minha ressocialização, a volta por cima. Não quero vingança, quero liberdade, ser feliz assim como eles são. Buscarei um outro alguém, se um dia me desgarrar de tua tenaz e dissimulada sedução, tão viva em mim e que me fez e faz tão mal.

Quero sair desta masmorra hospitalar em que me encontro, ir buscar felicidade, não posso mais viver dependendo de ti. Fingir que foi só um sonho, que no embalo da rede devaneei, como um cego apostando o próprio coração.

Quem dera meu coração fosse de pedra. Tivesse escolhido todas ao invés de uma. Ser solteiro, e não casado.

Tenho crises incontroláveis de raiva regadas a autopiedade, tudo vira arma para um atentado suicida, até minha cabeça. Afundo-a no vaso para uma morte merecida lembrando-me do verme fecal que fui em confiar naquele rosto angelical e nos copos brindados em nossa homenagem, mulher e amigo. Por isso alguns dizem o pior inimigo é o mais próximo. Verdade, como dói a súbita facada dada por quem você menos espera. Uma dor indescritível, feita as causadas pela impregnação de remédios que contraem meu corpo arrancando-me urros caninos.

O pior é olhar o espelho e ver onde estou, cercado de loucos com elevadíssimo grau de paranóia. São fadas a bater os braços pelos corredores, drogados qualificados como irrecuperáveis, D.Pedro I, retardados, incapacitados, e enfermeiros e médicos doidos para sossegar leões. Enquanto eu, dependente, luto pela liberdade psíquica de minhas fantasias de amor neste hospício chamado solidão.

Por Elton Cruz

Categorias: Calúnia!

5 respostas Até agora ↓

  • Natasha // Maio 10, 2007 às 12:08 pm

    Olá, Elton Jonh! Meus parabéns, mais uma vez, por mais um texto publicado. Além de ter uma ótima escrita, você escreve com a alma. Se é de um louco ou não, isso não importa…tenho certeza que é de poeta. Abração!

  • Thiago Lagedo // Maio 11, 2007 às 10:06 am

    “Louco é quem me diz e não é feliz” O limite entre a paixão e a loucura é tênue, quase inexiste. Portanto meu caro, ser louco ou apaixonado é mera questão de interpretação. À parte isso, eu sou Napoleão.

  • Julio Lagedo // Maio 11, 2007 às 7:16 pm

    Owww, Elton John que fala sou eu

    Sai daí….

  • Aline // Junho 8, 2007 às 2:20 am

    Explêndido. Verdadeiramente estar apaixonado e ser louco não faz muita diferana. Acho que sei quem foi a musa inspiradora para este poema.
    Boas férias.

  • L uciano Augusto // Dezembro 15, 2007 às 8:51 pm

    adorei esse texto vc escreve com a alma

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